sábado, 11 de fevereiro de 2017

Governo Promove a Produção de "Tseke" e o Assunto Viraliza Nas Redes Sociais.

Na terça-feira (07 de Fevereiro), o Conselho de Ministros de Moçambique analisou a proposta de produção do amaranthus, nome científico de uma planta comestível, amplamente conhecida como "Tseke", na região sul do país. Segundo o executivo, trata-se de uma planta que apresenta alto teor nutricional e de fácil cultivo. "Tseke" que era até tão pouco tempo um vegetal praticamente ignorado, popularizou-se após a declaração feita pelo vice-ministro da saúde, Mouzinho Saíde, na qualidade de porta-voz do governo, ao afirmar que, já foram produzidas sementes em quantidade para a comercialização.
"Tseke", uma planta que germina de forma espontânea, de folhas pequenas, leves e verdes, hoje constitui alternativa do executivo para se fazer face ao actual momento delicado que o país atravessa. Mas por quê amaranthus, ou melhor "tseke"? Há quem alega não fazer sentido a declaração do governo segundo a qual já existem sementes em quantidades para comercialização, pois a planta germina em qualquer terreno, incluindo em lugares e não precisa por isso de alguma intervenção especial para o efeito.
Há quem diz que esta pode ser mais uma falácia do governo, uma vez que no passado apresentou possíveis projectos que, no entanto, nunca vieram a se concretizar tal é o caso do plano para a produção da Jatropha que dominou o discurso sobre o combate à pobreza durante a governação do anterior presidente da república, Armando Guebuza. Tal como o amaranthus, jatropha foi apresentado como uma alternativa para a produção de biocombustível, o que nunca chegou a se efectivar. Aquando da governação do Guebuza, falou-se igualmente da famigerada revolução verde, algo não bastante e que até hoje não sabe do que realmente se tratava nem tampouco os seus resultados foram vistos.
A internet exercendo a sua exímia característica maldosa não perdoou. "Tseke" virou piada e tantos foram os posters sobre o assunto. A planta foi apresentada como solução para tudo. O hashtag #tseke dominou a rede social entre os assuntos mais discutidos no país na segunda semana do mês. Quer no facebook, quer no twitter ou ainda através de envio de criativas piadas no whatsapp, "tseke" saiu do anonimato e tornou-se viral.

Dan-E Munhequete (internauta) mostrando-se exausto com as piadas que se viralizam nas redes sociais.
Poucos são os que apareceram defendendo as declarações do governo ou apresentando argumentos plausíveis que justificassem o motivo por que realmente se apostar no cultivo, comercialização e consumo do amaranthus. Houve outrossim muitas tentativas de interpretações advindas da decisão do governo sobre a produção do tseke, por exemplo, o activista Egídio Vaz escreveu, no facebook, em um dos seus posters o seguinte:
"Quando um governo ou estado decide massificar o cultivo de uma planta não está a dizer que todos passaremos a comê-la forçosamente. Não. Está tão simplesmente a colocar à disposição mais uma opção alimentar, de resto de simples cultivo e alto valor nutritivo para quem quiser.
(..) Ora, eu apenas rogo que desta vez as coisas deiam certo. É que o ministério de tutela não acerta em nada. Até suspeito que Pacheco e seus colegas tenham decidido pela planta por ser tão óbvio. Esperteza de um velho dirigente. Daqui a duas semanas vai nos dizer que a produção do Tseke subiu de tantas toneladas para tantas toneladas, só para encantar o chefe e enganar-nos a todos nós. Jatropha e outras culturas falharam nas mãos dos mesmos." 
Por sua vez, Julião João Cumbane, pró-activo analista social na rede facebook reagiu numa das suas publicações, nos seguintes termos:
"O Governo de Moçambique, aparentemente sem qualquer estudo prévio, veio a público informar que tomou a decisão de promover a cultura de "tseke" (como é conhecida nas línguas da região Sul de Moçambique), uma das pelo menos dezassete (17) espécies de 'Amaranto' (Amaranthus), uma planta herbácea de folhas e sementes comestíveis, como uma das hortícolas consideradas "culturas transversais", para melhorar a dieta alimentar dos moçambicanos.
(...) O pronunciamento do Governo é entendido como querendo dizer que os moçambicanos pobres não têm que reclamar de fome porque têm "tseke" para comer. Esta interpretação de tal pronunciamento é errada. Também é errada a forma como o Governo de Moçambique fez referência à "tseke" como alimento. Podia-se ter elaborado melhor como orientar o povo para valorizar a e cultivar "tseke" como alimento de eleição, porque de facto é, e melhor que a espinafre originária lá Ásia."
Marcos da Tina (internauta) reagindo com crítica a sugestão para o consumo de "tseke".



A internet não perdoou. O assunto sobre a produção do amaranthus virou motivo de piada.









As críticas ao pronuciamento do executivo ecoaram de quase todo lado. Bitone Viagem, pró-activo jovem internauta reagiu:
"Afinal o que se passa nesse meu país? Será que a suposta crise causada por alguns, tornou irracional um Estado ao ponto de não sabermos oque se deve produzir para contornar isso. 
Isso ja é demais, será que os nossos ministros sabem o que é "Tseke"? Ja viram na vida deles, oque eles estão incentivando produzir?
Há dias nos mandaram comprar "mintlhata" e "mintsumbula" no lugar de pão, hoje nos mandam produzir "tseke". Eu acho melhor ficarem calados.
A volta da casa de banho da minha casa tem muito " tseke" peço para dizerem qual país posso exportar esse capim.
Enfim, esse povo não é vitima, mas sim cúmplice."


Há quem rebuscou o vídeo acima feito há algum tempo atrás no qual uma jovem se queixa alegando não ter outra coisa a preparar, na quadra festiva, senão "tseke". Ela foi chamada de profetisa devido à coincidência de hoje (Fevereiro, 2017) o governo ter incentivado a produção e consumo desta planta.

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